Terceirização de frotas: contramão da crise

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/ 18.abr.2018

São mais de 660 mil veículos terceirizados no país que dão fôlego às empresas com redução de custos operacionais

Pátios repletos de carros, motoristas e outros funcionários já foram uma realidade unânime das empresas brasileiras.

Parte do seu capital de giro acabava literalmente queimando asfalto, enquanto o foco do negócio
perdia investimentos, atrelados ao desgaste natural dos veículos.

Mas em busca de redução de custos e otimização do tempo, a terceirização da frota tem sido uma opção para muitos empresários e promete, em 2018, ir na contramão da crise econômica enfrentada pelo País.

A indústria de locação de veículos está projetando crescimento de dois dígitos na frota em 2018.

A perspectiva é, sobretudo, baseada na retomada dos negócios corporativos e na ampliação de aplicativos de transporte urbano. Em 2016, a frota foi encerrada com 660 mil veículos no Brasil.

Segundo o presidente da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), Paulo Nemer, deve alcançar cerca de 1 milhão até o final de 2018.

“O setor já representa 11% de todos os automóveis e comerciais leves vendidos por ano no Brasil.”

A aposta no crescimento também é calcada nos benefícios oferecidos pela terceirização de frota.

Segundo Nemer, a conta é simples para os setores privado e público.

Carro na garagem significa imposto, seguro, manutenção e funcionário. O custo acaba sendo variável e inclui a depreciação do patrimônio.

“A vantagem da terceirização está no custo previsível e na certeza de contar diariamente com veículo em funcionamento”, garante Nemer.

Com 8.682 veículos emplacados, o mercado de locação em Goiás representa 42,7% de toda a Região Centro-Oeste, segundo a Abla.

No Estado, operam 243 empresas, 30,3% do total no Centro-Oeste, sendo 135 de pequeno porte, com até nove veículos, e 108 de médio e grande porte.

A maior parte da frota está nas empresas que fazem o aluguel sem motorista.

Em Goiás, a líder de mercado é a ITA Transportes com 48 anos de atuação e, há 22, focada na locação e terceirização da frota. Com 1.800 veículos, oferece serviço de locação, terceirização com mão de obra qualificada e gestão da frota contratada, atualmente em Goiânia, Cuiabá, Várzea Grande e Brasília.

O diferencial até 2015 esteve à disposição do serviço público. Embasada num planejamento estratégico arrojado, a empresa se reestruturou e fortaleceu seu setor comercial a fim de buscar e atender a fatia do mercado privado.

A meta é que em três anos 10% da carteira de clientes seja formada por empresas privadas.

Pertencente ao mesmo grupo da HP Transportes e da Urbi, que fazem transporte público coletivo de passageiros em Goiânia e Brasília, oferece frota especializada, que inclui desde os carros de serviço para o transporte de funcionários até veículos específicos como caminhões equipados com trituradores de galhos, caminhão hidrojato, caminhão espargidor, entre outros. Entre os maiores clientes, figuram as prefeituras de Goiânia e de Cuiabá, Celg (Enel) e Saneago.

O diretor executivo da ITA Transportes, Márcio Palmerston, há 27 anos na empresa, é o grande responsável pela condução do processo que busca levar a empresa para o mercado privado.

A reestruturação, que incluiu mudanças na equipe e estratégia na área de marketing, segue tendência de mercado e busca atrair empresários oferecendo e aplicando diagnósticos sobre os gastos com frotas próprias.

Na mão, a calculadora para mostrar ao empresariado, em especial goiano, que ainda resiste com a cultura da posse, as vantagens da locação e terceirização, como a liberação de capital para investimento no próprio negócio. É o custo de oportunidade. Segundo Márcio, o custo com a locação pode gerar economia de 20% a 30%, dependendo dos veículos.

Ele cita uma empresa com frota nova no valor de 11 milhões de reais.

Em seis anos, ela tem uma depreciação de 6 milhões de reais, o que significa perda de 1 milhão de reais por ano. O valor pode ser investido no negócio próprio e gerar lucro.

“Apresentamos cálculos reais e fazemos a projeção do investimento necessário em caso de terceirização. A economia é evidente”, explica Marcio.

Com este argumento, a empresa já alcançou o mercado com clientes na área de comunicação, curtume e logística. Além da locação, o cliente pode optar pela terceirização e gestão da frota, que é a inteligência em transportes.

Toda a operacionalização e dimensionamento é realizado pela ITA, o que significa que serão realizados estudos para viabilidade econômica do uso da frota e o gerenciamento dos recursos necessários.

Na frota, não estão apenas carros pequenos. Para quem terceiriza, um dos atrativos é poder dispor de veículos cujo valor alto é um empecilho para ter à disposição.

É o caso da Prefeitura de Goiânia que utiliza uma carreta de transbordo de lixo, que é a única do estado, e pertence a ITA.

Administrador e membro do Conselho Fiscal e diretor regional da Abla, Márcio vê na crise o encontro de oportunidades para o setor de locação e para os empresários.

Em um momento de corte de gastos, as empresas buscam formas de enxugar e manter o crescimento.

Para chegar ao setor, que ainda não conhece o serviço, a ITA reformulou a marca, investiu no desenvolvimento e treinamento dos funcionários e em mídia.

“Vimos a oportunidade na crise e vamos crescer junto com quem quer ficar no mercado.”

Fone: Leitura Estratégica | Março de 2018 | Transportes | Negócios por Luisa dias

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